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		<title>Sobre sonho, coragem e força de vontade</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 03:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Febba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ter a coragem de abandonar o lugar onde você nasceu, desfazer-se de todos os seus pertences e garantir apenas o necessário em poucas bagagens, deixar pessoas queridas para trás e aventurar-se numa cansativa viagem de navio, por longos dias, rumo a uma terra que você só conhece por nome, cujas promessas de trabalho e riqueza [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=108&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ter a coragem de abandonar o lugar onde você nasceu, desfazer-se de todos os seus pertences e garantir apenas o necessário em poucas bagagens, deixar pessoas queridas para trás e aventurar-se numa cansativa viagem de navio, por longos dias, rumo a uma terra que você só conhece por nome, cujas promessas de trabalho e riqueza soam tão distantes quanto o pensamento de um dia alcançar melhores condições de vida para sua família. Essa é uma história que todos já conhecem. É minha e também de muitos descendentes de imigrantes que hoje formam o multiétnico povo brasileiro.</p>
<p>Há exatamente 100 anos, desembarcava no porto de Santos, em São Paulo, a família de Antonio di Febbo, meu bisavô. Partiram de Atri, uma antiga cidade, fundada ainda pelos ilírios, no século X a.C., na região de Abruzos, Itália. Vinte e um dias depois, chegaram ao Brasil, o país das promessas distantes. Estavam esgotados, maltrapilhos, mas tinham muita vontade de trabalhar e conquistar um lugar ao sol. Trocaram o rigoroso inverno europeu pelo abafado verão tropical, trocaram um dialeto italiano pelo português do interior paulista, trocaram uma terra antiga e cansada por uma fresca e selvagem, trocaram medos por esperança e sonhos por planos&#8230;</p>
<p>Contava meu bisavô 28 anos de idade, vinha acompanhado da esposa, Carmela Giansante, e dos três pequenos filhos: Sabatino, de 6 anos, meu avô; Alessandro, de 4 anos; e Tomaso, de apenas 1 ano. O motivo que os levaram a cruzar o oceano em busca de uma nova vida é o mesmo de muitos outros imigrantes. Uma decisão que mudou para sempre suas vidas, uma escolha sem volta e que o destino permitiu ser relembrada agora.</p>
<p>Vencido o roteiro Santos-São Paulo, seguiram de uma fazenda a outra, trabalhando em muitas lavouras de café paulistas. Muito trabalho, pouco dinheiro.  A vida no campo não era fácil, levantava-se cedo, fazia-se pão e café em casa, a enxada era a fiel companheira de todos os dias&#8230; Até que, enfim, o sonho se fez realidade: depois de juntar dinheiro com anos de dedicação, compraram o pedacinho de terra que agora era só deles, um sítio em Martinópolis, interior do estado de São Paulo. Terra que viu muitas alegrias e tristezas, batizados, casamentos e alguns funerais. Terra da infância de minha mãe.</p>
<p>Essa mesma terra também um dia ficou para trás, e hoje é apenas recordação de um tempo antigo, de uma história de força de vontade, de muito trabalho e, acima de tudo, de muita coragem&#8230; Coragem de mudar, de abandonar tudo que é familiar e confortável para ir em busca de um sonho além-mar, uma nova vida que hoje comemora 100 anos.</p>
<div id="attachment_109" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2011/03/carmela-antonio.jpg"><img class="size-full wp-image-109" title="Carmela Antonio" src="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2011/03/carmela-antonio.jpg?w=500&#038;h=687" alt="Carmela e Antonio, meus bisavós. São Paulo, em meados da década de 1940." width="500" height="687" /></a><p class="wp-caption-text">Carmela e Antonio, meus bisavós. São Paulo, em meados da década de 1940.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/phoebuscapsae.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/phoebuscapsae.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/phoebuscapsae.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/phoebuscapsae.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/phoebuscapsae.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/phoebuscapsae.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/phoebuscapsae.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/phoebuscapsae.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/phoebuscapsae.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/phoebuscapsae.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/phoebuscapsae.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/phoebuscapsae.wordpress.com/108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/phoebuscapsae.wordpress.com/108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/phoebuscapsae.wordpress.com/108/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=108&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O fardo</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 19:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Febba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Era a primeira vez que enxergara uma obra de arte. Estava diante de Um bar no Folies-Bergère, de Manet. Leu no informativo, junto ao quadro, que se tratava de um célebre café-concerto em Paris, frequentado por pessoas de todas as classes sociais. Artistas, operários, homens elegantes e prostitutas encontravam-se no famoso cabaré para comer, beber [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=90&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era a primeira vez que enxergara uma obra de arte. Estava diante de <em>Um bar no Folies-Bergère</em>, de Manet. Leu no informativo, junto ao quadro, que se tratava de um célebre café-concerto em Paris, frequentado por pessoas de todas as classes sociais. Artistas, operários, homens elegantes e prostitutas encontravam-se no famoso cabaré para comer, beber e se divertir.</p>
<p>Os outros trabalhos que fizera na vida não eram tão diferentes desse, mas agora havia algo de extraordinário em sua existência, porque não limpava mais os salões dos bares imundos de Londres, era a faxineira do Instituto de Arte Courtauld. Foi a senhora Bartlett quem lho conseguiu, há anos desejava que sua amiga, já cansada de tanto tempo de trabalho pesado, levasse uma vida mais tranquila. O serviço era leve e pagava-se razoavelmente bem.</p>
<p>Observou-o atentamente, não entendia porque as figuras do quadro não eram nítidas como em uma fotografia tirada num verão ensolarado, ou quando se olha através da janela a neve que se debruça sobre jardins e telhados. Mas o que tanto lhe intrigava era a expressão absorta da figura central. Uma garçonete, apoiada no balcão, perdida em seus pensamentos mais profundos, fitava uma acrobata que divertia o salão a sua frente, embora ninguém lhe desse atenção. O estranho nessa situação, especulou, era o reflexo da garçonete no espelho: parecia atender a um freguês que se posicionara no mesmo ângulo em que se observa o quadro, mas, quando vista de frente, não parecia a mesma pessoa.</p>
<p>Por um instante, deixou-se pensar em si mesma, jamais esteve em belos salões como o parisiense do quadro, sequer havia deixado Londres. Por que razão estaria tão pensativa aquela senhorita do balcão? Seria a mesma razão que a mantinha fixa à pintura? O mundo entrega um fardo pesado para cada ser que o habita, carregamo-no sem reclamação, sem questionamento. Às vezes, seu peso aumenta conforme se faz longa a viagem. Em outras, encontramos alguém com quem compartilhamos o ônus da carga. De certo que a garçonete não havia encontrado esse alguém, e seu fardo devia ser muito pesado. Podia-se pensar que, talvez, aquele freguês fosse a razão de sua introspectividade: ela havia atendido-o há alguns minutos e agora ele lhe voltava à mente, o mundo em redor já não a alcançava, nem o borbulho do salão cheio, tampouco a acrobata que olhava sem a enxergar.</p>
<p>Sentiu um profundo vazio na alma. Aquela garçonete queria ser resgatada dali pelos braços de alguém que se apaixonasse por ela e a libertasse daquela vida dura. Também o queria a faxineira. Alguém que lhe revelasse a beleza do mundo, que a levasse para os lugares mais distantes que já conhecera, estendesse uma fina toalha num campo verdejante, às margens de um lago cristalino, e se sentasse junto a ela, provariam o melhor vinho e comeriam frutas da estação. Ele deitaria após a refeição em seu colo enquanto ela se recostaria embaixo de uma árvore para ler. A noite chegaria com uma fina garoa, rápida, mas suficiente para molhar-lhes as roupas. Procurariam uma pequena pensão na vila mais próxima, onde aqueceriam seus corpos à lareira, tomariam caldo e dividiriam um pedaço de pão na única mesa à luz de uma vela. Ririam o resto da noite até que o sono chegasse.</p>
<p>Suspirou longamente e afundou um pano de chão no balde de água suja. A verdade é que tinha um salão inteiro para limpar, e seu tempo agora era menor. Pensou que sua vida era tão real quanto a vassoura e a pá que havia largado no chão. Que mais poderia querer senão estar num bom emprego, garantindo sua sobrevivência com dignidade? O efeito que a pintura lhe causara não passava de um momento infortúnio de distração, uma desventura. Ela possuía um fardo que deveria carregar só, e por mais difícil que fosse, não reclamaria de sua tarefa, mesmo sendo sua estrada a mais íngreme e distante do final. Não voltou a olhar o quadro da garçonete, terminou o seu trabalho com dedicação e vestiu-se para ir embora.</p>
<div id="attachment_91" class="wp-caption aligncenter" style="width: 508px"><a href="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2010/04/um-bar-no-folies-bergere.jpg"><img class="size-large wp-image-91   " title="Um bar no Folies-Bergère" src="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2010/04/um-bar-no-folies-bergere.jpg?w=498&#038;h=365" alt="&quot;Um bar no Folies-Bergère&quot; (1882), de Edouard Manet. Óleo sobre tela, 96 cm × 130. Courtauld Institute Galleries, Londres." width="498" height="365" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Um bar no Folies-Bergère&quot; (1882), de Edouard Manet. Óleo sobre tela, 96 cm × 130 cm. Courtauld Institute Galleries, Londres.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/phoebuscapsae.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/phoebuscapsae.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/phoebuscapsae.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/phoebuscapsae.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/phoebuscapsae.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/phoebuscapsae.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/phoebuscapsae.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/phoebuscapsae.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/phoebuscapsae.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/phoebuscapsae.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/phoebuscapsae.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/phoebuscapsae.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/phoebuscapsae.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/phoebuscapsae.wordpress.com/90/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=90&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A empresa &#8220;poesia&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 01:15:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Febba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os únicos versos que escrevi pensando em poesia&#8230; A guerra No brado das distantes terras cinéreas, anuncia um impiedoso anjo sem asas o início de uma guerra sem lanças entre titânicas estátuas fracassadas. Os tambores da impetuosa armada ressoam pelos campos felizes de outrora e o soldado, de pálida face engessada, é apenas raiva disfarçada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=80&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os únicos versos que escrevi pensando em poesia&#8230;</p>
<p style="text-align:left;"><strong>A guerra</strong></p>
<p>No brado das distantes terras cinéreas,<br />
anuncia um impiedoso anjo sem asas<br />
o início de uma guerra sem lanças<br />
entre titânicas estátuas fracassadas.</p>
<p>Os tambores da impetuosa armada<br />
ressoam pelos campos felizes de outrora<br />
e o soldado, de pálida face engessada,<br />
é apenas raiva disfarçada de vitória.</p>
<p>O escarlate celeste na aurora deste dia<br />
tinge no chão gigante e disforme sombra.<br />
No encalço dos guerreiros a cidade esvazia<br />
enquanto o mensageiro destruição encontra.</p>
<p>De terror e medo, a vida tudo abandona.<br />
Choram as almas que clamam por saída.<br />
Não há mais quem acredite em esperança,<br />
ao passo que a batalha se aproxima.</p>
<p>Heróis e covardes separarão seus caminhos<br />
por uma terra que o veneno consome,<br />
onde nasce o fel de vidas sem destinos<br />
que o homem tampouco reconhece o nome.</p>
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_82" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2010/02/vitoria-de-samotracia.jpg"><img class="size-full wp-image-82" title="Vitória de Samotrácia" src="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2010/02/vitoria-de-samotracia.jpg?w=500&#038;h=375" alt="&quot;Vitória de Samotrácia&quot; (190 a.C.), Museu do Louvre." width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Vitória de Samotrácia&quot; (190 a.C.), anônima. Escultura em mármore branco, altura: 3,28 m. Museu do Louvre.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/phoebuscapsae.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/phoebuscapsae.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/phoebuscapsae.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/phoebuscapsae.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/phoebuscapsae.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/phoebuscapsae.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/phoebuscapsae.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/phoebuscapsae.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/phoebuscapsae.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/phoebuscapsae.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/phoebuscapsae.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/phoebuscapsae.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/phoebuscapsae.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/phoebuscapsae.wordpress.com/80/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=80&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ninguém morre</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 23:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Febba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[— Ora! Chega do trabalho funesto! proclamou a Morte, em rede nacional, para os vinte milhões de telespectadores que assistiam à TV, pasmados, naquele inesquecível 1º de janeiro. E as razões, pois as havia de sobra, eram por ela justificadas com extravagante eloquência: “Onde já se viu tamanha prepotência do homem? Um transplante de coração [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=8&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">— Ora! Chega do trabalho funesto! proclamou a Morte, em rede nacional, para os vinte milhões de telespectadores que assistiam à TV, pasmados, naquele inesquecível 1º de janeiro.</p>
<p style="text-align:left;">E as razões, pois as havia de sobra, eram por ela justificadas com extravagante eloquência: “Onde já se viu tamanha prepotência do homem? Um transplante de coração só podia ser a mais pura insensatez da medicina! Um cálculo retirado de um rim (em razão da dor insuportável), até que era razoável&#8230; Mas, substituir um órgão vital cansado e inválido por um viçoso e sadio, já era demais!”.</p>
<p style="text-align:left;">Os dias de paralisação nas atividades funerárias seguiram em grande alvoroço. Há dias não havia um velório, não havia sequer uma pesarosa viúva chorando a recente perda do companheiro de tantos anos de matrimônio. As vendas de coroas de flores despencaram subitamente; os desafortunados coveiros, em regime de “férias forçadas”, não mais podiam ganhar o sustento do trabalho digno, pois não havia quem pudesse ser enterrado. Nos hospitais, então, uma calamidade sem precedentes! Agonizantes moribundos clamavam em pleno desespero pelo fim de seus sofrimentos, que viesse a cruel e libertadora morte, que acabasse tudo. Mas a única visita que recebiam era a dos enfermeiros com suas incontáveis injeções de morfina para aliviar a dor, pois, como ninguém morria, os médicos abandonaram o trabalho. Uma tragédia!</p>
<p style="text-align:left;">Salões para velórios fechados, companhias funerárias e de seguros de vida às moscas, hospitais em estado de calamidade, esse era o retrato daquela sociedade. Tudo era a mais completa desesperança. Mas algo deveria ser feito. Era preciso negociar com a irredutível entidade mortal. E foi o que aconteceu. Os governantes se reuniram num interminável conclave para discutir quais medidas deveriam satisfazer os anseios da fúnebre reivindicante. E, depois de horas de apreensão, o governo divulgou, entre as principais disposições, a construção de um novo cemitério, cercado de palmeiras argentinas, enxadrezado de sepulturas em mármore de Carrara, num amplo e rico projeto de paisagismo inglês.</p>
<p style="text-align:left;">Tudo em vão! A Morte não se contentou:</p>
<p style="text-align:left;">— Que pensam esses tolos, afinal? Que é fácil agradar-me apenas com um jardim sem graça e meia dúzia de pedras italianas? Nem pensar! declarou estarrecida.</p>
<p style="text-align:left;">Prosternada com toda a situação, a Igreja decidiu contribuir com sua parcela de responsabilidade no caso. Afinal, não havia melhor figura do que a dos padres para tratar desse assunto, uma vez que Deus era o grande tutor do destino da humanidade. Mas a única coisa que puderam prometer foi o aumento do número de cerimônias para a encomenda das almas que, agora, seriam mais suntuosas e se tornariam a prioridade no sacro dever dos sacerdotes! Mas assim tampouco a Morte repensou, não voltaria atrás por essas tolices, estava resoluta. A não ser que&#8230; E todo o povo se alentou! Era uma luz, uma ínfima esperança que parecia surgir entre sombrias nuvens depois de uma longa manhã de chuva. Era uma proposta:</p>
<p style="text-align:left;">— Muito se preocupa a medicina em combater os males que atormentam a humanidade, mas tudo me parece apenas um disfarce. Esta sociedade está corrompida! O que se quer é encobrir um frenético mercado de cirurgias estéticas, o crescimento da indústria farmacêutica exploradora de um mercado vantajoso, e mais o diabo! Exijo dos médicos um trabalho sério, engajado e, acima de tudo, ético. Do contrário, não haverá quem morra!</p>
<p style="text-align:left;">Estava clara uma séria denúncia, que deixou todos estarrecidos. A Morte exigia simplesmente a verdade e o fim da decadência moral daquela comunidade. Foi, então, que se descobriu um esquema de desvio de verba destinado à saúde em benefício de clínicas e centros de estéticas. O ministro da saúde foi acusado de corrupção e perdeu o cargo, quando se revelou as falcatruas e subornos que praticara durante sua gestão. E, assim, naquela sociedade, antes tão preocupada com as questões da aparência, as indústrias de medicamento passaram a fabricar remédios para distribuição gratuita. Novos profissionais da saúde — entre os mais importantes, médicos e enfermeiros — assumiram um ofício sério que envolvia pesquisa e cura de doenças. Eram norteados pelo trabalho de prevenção contra doenças e acidentes fatais, criando uma cultura em prol do bem-estar da população, poupando o desperdício de dinheiro público com situações de irresponsabilidade e de descuido.</p>
<p style="text-align:left;">E, por mais inusitado que tenha sido esse acontecimento, a Morte passou a praticar seu trabalho com um propósito mais digno e afortunado, visto que, aqueles que morriam, era porque haviam alcançado uma idade avançada.</p>
<p style="text-align:left;">
<div id="attachment_26" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2010/01/j04318561.jpg"><img class="size-full wp-image-26" title="Foggy Church Graveyard" src="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2010/01/j04318561.jpg?w=500&#038;h=399" alt="" width="500" height="399" /></a><p class="wp-caption-text">Foggy Church Graveyard</p></div>
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		<title>O princípio</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 01:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Febba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notas]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro post é sempre algo muito especial, e nesse caso não poderia ser diferente, porque diz a respeito da idealização deste blog que, acima de tudo, é o motivo pelo qual escrevo. O nome Phoebus capsae, &#8220;A caixa de Febo&#8221; em latim, foi escolhido por expressar exatamente o significado que o blog tem para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=7&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O primeiro <em>post</em> é sempre algo muito especial, e nesse caso não poderia ser diferente, porque diz a respeito da idealização deste <em>blog</em> que, acima de tudo, é o motivo pelo qual escrevo.</p>
<p>O nome <em>Phoebus capsae</em>, &#8220;A caixa de Febo&#8221; em latim, foi escolhido por expressar exatamente o significado que o<em> blog</em> tem para mim, explico-me: Febo, nome atribuído ao deus Apolo pelos romanos, é o sobrenome da minha família, com uma pequena variação na grafia, no meu caso. Nas mitologias grega, romana e etrusca, Febo foi identificado, entre muitos patronatos, como o deus da luz e do Sol, da música, da poesia e das artes. Assim, então, pareceu-me que não havia melhor nome para o <em>blog</em> do que o meu próprio. No cabeçalho desta página, vemos Febo no monte Parnaso cercado pelas musas inspiradoras das artes, na verdade, trata-se do óleo sobre tela <em>Apolo e as musas</em> (1640), de Simon Vouet.</p>
<p>E de onde vem tanto interesse em arte e cultura? Começou ainda na infância, quando eu ainda estava sendo alfabetizado. Lembro-me de folhear constantemente um livro sobre história geral do Brasil e uma Bíblia católica, ambos ilustrados com as mais importantes obras-primas da pintura. Era magnífica a impressão que aquelas imagens me causavam, não apenas o traçado ou a técnica utilizada, mas, acima de tudo, a história que havia por trás daquela combinação de cores e tinta. Já na adolescência, outra combinação despertou minha atenção com mais força, a das palavras numa folha de papel. Os livros, que já eram antigos companheiros de muitos momentos agradáveis, tiveram um papel decisivo na minha formação acadêmica e mais tarde na minha profissão.</p>
<p>Hoje, todas essas experiências descritas estão associadas às minhas atividades, e agora pretendo compartilhá-las por meio deste <em>blog</em>. Onde quer que estejam presentes, imagem e palavra, estão presentes a reflexão, a busca do conhecimento, os nossos anseios captados pela óptica do artista, seja no cinema, no teatro, na música, enfim, em qualquer meio que nos proporcione a descoberta de uma sensação. É essa a proposta de A caixa de Febo: permitir à alma se elevar pelo sublime efeito da arte!</p>
<p>E para elevar o espírito, nada como a Renascença! Abaixo, reprodução do afresco <em>A Escola de Atenas</em> (1506-1510), de Rafael Sanzio. A comunhão dos grandes intelectuais de outrora sob as égides de Febo e Minerva (ou Apolo e Atena), com destaque para Platão e Aristóteles. Uma obra-prima simbolicamente inspiradora para o post de hoje.</p>
<div id="attachment_32" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2009/08/school3.jpg"><img class="size-full wp-image-32" title="A Escola de Atenas" src="http://phoebuscapsae.files.wordpress.com/2009/08/school3.jpg?w=500&#038;h=315" alt="" width="500" height="315" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;A Escola de Atenas&quot; (1506-1510), de Rafael Sanzio. Afresco, 500 cm × 700 cm. Museu do Vaticano.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/phoebuscapsae.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/phoebuscapsae.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/phoebuscapsae.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/phoebuscapsae.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/phoebuscapsae.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/phoebuscapsae.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/phoebuscapsae.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/phoebuscapsae.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/phoebuscapsae.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/phoebuscapsae.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/phoebuscapsae.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/phoebuscapsae.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/phoebuscapsae.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/phoebuscapsae.wordpress.com/7/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=phoebuscapsae.wordpress.com&amp;blog=11479498&amp;post=7&amp;subd=phoebuscapsae&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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